quinta-feira, 16 de julho de 2009

Metallica - Master of Puppets


Depois da evolução visível de Kill’m’All para Ride the Lightning, Metallica eram os Messias do Metal. A energia que Lars Ulrich, Kirk Hammett, Cliff Burton e James Hetfield transmitiam nos seus temas era algo como nunca dantes se tinha visto.
Em 1986 o auge era atingido. Para muitos o ponto máximo do Heavy Metal- Master of Puppets vinha a público.

Até á data álbuns de culto tinham sido lançados como Number of the Beast , Ace of Spades , Paranoid, British Steel, etc… Mas o mundo mesmo assim não estava preparado para a carga pesada do álbum que viria a ser de culto do Trash-Metal.Se Ride the Lightning pregava a partida aos ouvintes com a famosa introdução de «Fight Fire With Fire», «Battery» demonstra que este tipo de estrutura viria a ditar alguns dos temas mais pesados da carreira da banda ( «Blackened» de …And Justice For All por exemplo).Uma introdução pouco comum aos restantes mortais do metal dos anos 80, prova o estatuto de Deuses. Toquem o que tocarem sai sempre bem!Um dos melhores temas da banda ao vivo, “ cannot kill the battery” dita a velocidade de Lars Ulrich, possivelmente no seu melhor. Um tema que relembra os tempos de Kill’m’All mas que revela a experiência ganha com o crescimento mediático da banda.O momento mais do que obrigatório, a par de «Seek And Destroy», é daqueles temas que consegue por em comunhão fans old-school com os curiosos ouvintes do radiofónico Black Album – dando nome ao álbum, «Master of Puppets» é a maior epopeia da história do metal!Um Riff arrebatador logo ao passar dos primeiros segundos impossibilita qualquer ser humano que se preze de se tornar um autentico selvagem! Air guitar, mosh, crowd surf, circle pit, slam dancing, headbanging- meu deus! - dá para tudo!! James Hetfields diz ao publico para obedecermos ao nosso mestre - Assim o faremos! Mais do que viciante, sem dúvida um dos melhores temas da banda de San Francisco! A par do solo inicial de «One», este tema consegue encaixar na perfeição um momento de génio de Kirk Hammond. Se alguém ainda punha em causa a saída de Dave Mustaine, penso que agora Kirk acimentava o seu lugar na banda. É belo, é poético, é sentido. Como é que alguém se dá ao luxo de misturar tamanha delicadeza com tamanha violência?!8 minutos sensivelmente, e penso que ninguém seria capaz de tirar um segundo que fosse. Um final a trezentos á hora. «Creeping Death» ditava algo deste género mas mesmo assim, «Master of Puppets» consegue ainda deixar-me de queixo caído.A par de «Harvester of Sorrow», este tema seguinde prime pela importância dada ao peso e não á velocidade que tanto marca a cena Trash-metal.«The Thing That Should Not Be» é claustrofóbico, é diferente, é único. Da primeira vez que ouvi esta música confesso que fiquei confuso, o sentimento que me transmitiu não era óbvio ao ponto de conseguir formar uma opinião de seguida. A complexidade deste tema é subtil, não aparenta mas é um tema que não está lá para encher chouriços.É a primeira quebra do ritmo alucinante que os primeiros temas deixam como cauda dum meteorito gigantesco.

Carregando no Foward encontraremos um dos momentos mais tocantes da discografia dos Metallica. Para além de ícones do Metal, a banda será para a eternidade lembrada pelas suas baladas de fast pace. Depois de «Fade to Black» e abrindo caminho para «One», «Welcome Home ( Sanatarium)» leva-nos para um mundo que ninguém está interessado em conhecer de perto. Um mundo onde “ The time stands still”, um mundo de medos e receios.O sentimento de abandono total.Os primeiros toques do sr. Hetfield nos agudos da sua guitarra marcam um compaço de nostalgia total.A raiva crescente culmina num sentido – “ just leave me alone!”. Mais um clássico da banda, que de forma alguma poderá ser esquecido no tempo.O solo final, o break de bateria – Metallica - está carimbado ! Ainda hoje podemos encontrar esta estrutura característica em temas como «The Day That Never Comes» do recente Death Magnetic.

«Disposable Heroes» marca uma vertente menos utópica, digna do imaginário do mundo do Metal, e toma contornos políticos. Heróis descartáveis, é assim que os Metallica representam soldados a mando, carne para canhão.Ridicularizam as causas da guerra e não temem a caracterização violenta de tais cenários. Os primeiros segundos deste tema elevam-nos a um caos total. “Are you out there?” pergunta repetidamente James nos concertos antes de abrir caminho a um dos riffs mais elementares de trash. Kirk Hammond e Lars Ulrich tomam as rédeas.” …bodies fill the fields i see…” Assim começa a letra só por si pesada.
Confesso que este tema é dos meus favoritos, tendo só uma vez o privilégio de o assistir uma vez apenas, em 2007 no festival Super Bock Super Rock.
É inevitável fazer mais uma vez o reparo, Lars no topo de forma, quer a nível de velocidade como de criatividade – nem sempre bem aceite.

Quando o momento mais fraco de todo um álbum continua a estar ao nível, é porque estamos na presença de algo único. «Lepper Messiah» diz-nos que é tempo de “kiss your ass good-bye”. Mas primeiro damos graças a algo superior por nos ter ofertado o trabalho de Cliff Burton. «Orion» recorda-nos o potencial do melhor baixista da história do Heavy-Metal.Ainda hoje um momento celebrizado por Rob Trujillo, assim como Jason Newsted o fazia em honra do seu antecessor. Um trabalho de baixo distorcido como só Burton se atrevera a explorar. O instrumental com maior carga emotiva, celebrizado a quando do fatal acidente que vitimara o seu autor.Ao vivo, e os fans mais atentos certamente confirmarão, a banda de San Francisco aproveita para dar uma falsa partida de palco aquando do infernal «Master of Puppets» dando tempo a soltar um dos temas com introdução como anteriormente expliquei… Pois bem, não temam por mais alto na música que se segue. Este tema fez-se para homens de barba rija, é pesado, é rápido, é violento. Não foi feito para parecer harmonioso ou com uma certa complexidade de estrutura. Foi feito para celebrar o caos total.«Damage Inc» tem um dos melhores compassos de bateria que poderão ouvir ao longo da vossa vida! “ Blood will follow blood!” faz temer os pais de todo o jovem adolescente que berra tais palavras no seu quarto como senão houvesse amanhã! E o solo final? Estaria Kirk Hammond em Ecstasy? A velocidade desde solo é fenomenal, que dupla infalível! Lars sempre ao ataque deve dar graças ao facto de não acabar com uma trombose tal é a velocidade das suas batidas! Sem dúvida alguma um dos temas mais pesados dos Metallica que fecham assim o álbum mais respeitado da história do Trash-Metal.

Moonspell - Wolfheart


Do concelho da Amadora espera-se toda uma variância de estilos provenientes do Hip-hop, R’n’B, Kizomba, etc, que marcam uma certa cultura típica de bairros demarcados pela mistura de nacionalidades, na sua maioria africanas e brasileiras.Curiosamente, é de uma dessas freguesias, Brandoa para ser mais concreto, que nasce aquele que viria a ser o maior projecto do mundo do metal português – os Moonspell.Hoje temos alguma dificuldade em mantermo-nos a par dos seus espectáculos face ao número crescente de tours no estrangeiro.Não deixando para trás o que de melhor se exporta do Black Metal nórdico, os Moonspell esgotam em países como a Polónia onde gravaram o primeiro DVD português desta vertente do rock mais pesado- Lusitânia Metal.Em 2003, com o single «Everyhing Invaded» de The Antidote, chamaram á atenção da organização do Rock in Rio como capazes de fazer o «aquecimento» dum dia com Sepultura, Slipknot e com o retorno de Metallica ao nosso país. Desde aí (2004) que a carreira dos Moonspell tornou-se bem mais visível a solo nacional, deixando bem para trás as bandas de estatuto equivalente como Ramp e Tarântula seguindo no pelotão do estatuto de maior banda de metal nacional.

Poderia dizer que tudo começou á 20 anos atrás, mas é em 95 que Wolfheart surpreende a crítica como álbum de estreia da banda de Fernando Ribeiro.É usual dentro do Black Metal encontrar todo um conjunto de simbolismos e de algum drama teatral, amado por uns e odiado por outros, nunca indiferente. O Lobo é o simbolismo obvio deste álbum.«Wolfshade (A Werewolf Masquerade)» dá início á caminhada deste feitiço lunar. Uma introdução do outro mundo, relembra uma autêntica casa dos horrores, clássico de feira popular. O lobo é cheio de mistérios, e isso cria alguma mística na sua personagem. Quem não o associa a uma noite de lua cheia a uivar no meio da neve?É esse o lado sombrio que Moonspell antecedem com este tema de abertura. Primeiro álbum não faz deles amadores! Os anos que antecederam a edição deste álbum provaram que a experiência é essencial, e nesse aspecto estão cada vez melhores.A melodia, sombria e tendencialmente ligada á cultura gótica (referencia á tribo urbana), demonstra-se ironicamente bonita. Se «A Bela e o Monstro» fosse um musical, este seria o género de música perfeito.

Temos todo um género de crimes, mas sem dúvida os maiores da humanidade foram em nome dum chamado Amor. «Love Crimes» dá a conhecer um Mr. Mike na Bateria de forma fenomenal! O Jack Sparrow português demonstra não ficar nada a trás do que colegas seus fazem no estrangeiro. 7 minutos bastante progressivos, culminando num ambiente algo macabro onde a calma antecede a entrada da «besta» FR.«…Of Dream and Drama (Midnight Ride)», á melhor definição para a sua música? O primeiro grande rasgo de metal infernal! O peso dos riffs e da bateria mistura-se com a harmonia do órgão. Um break algo invulgar dá direito a solar o teclista.
Ao som de flauta se abre um pequeno instrumental, «Lua d’Inverno» que prova que para além de metaleiros, feios e maus, os Moonspell são músicos conscientes, profissionais e com uma diversidade pouco eclética em termos musicais.

«Trebaruna» parece ceder um pouco ao preconceito que muito se vivia na altura, o facto das bandas se lançarem em inglês. A meu ver, o ponto fraco do álbum, não por ser cantada em português, mas simplesmente porque se sente algo fora do contexto.

Sem deixar saudades do tema anterior, «Vampiria» é ainda hoje um dos maiores clássicos da banda e sem dúvida uma das favoritas dos fans mais antigos de Moonspell. Os primeiros dois minutos mergulham-nos na escuridão total, até ao momento que o riff da guitarra se faz soar. Fernando Ribeiro nunca temeu puxar pelos dotes vocais, dos graves ressonantes aos «berros» , que leigos tanto criticam e receiam um dia compreender e gostar, neste tema o vocalista leva-nos para um clássico de cinema, o Drácula. O mundo do Black Metal é este que ele vos apresenta, onde se entra num mundo fantástico de vampiros e de monstros, onde nem tudo é bonito e supérfluo, onde os sentimentos que se pretendem provocar não são tão óbvios como noutros géneros.

Muito se fala do vocalista, mas o segredo da harmonia vocal da banda passa muito pela destreza no uso dos back vocals! Na «Erotic Alchemy» revela a paixão pelo mundo delicado da música clássica, da opera para ser mais concreto.
Diria que este tema se revela mais dinâmico do que se verifica com os anteriores, no entanto não se compara ao que está para vir.Será que fechar um álbum com um dos maiores clássicos do Metal português (talvez só passado por Opium, também dos Moonspell) demasiado cliché?«Alma Matter» é fantástica do princípio ao fim! A garra ainda hoje é dificilmente comparável a outro tema da sua discografia. Pegando no famoso discurso do prof. Oliveira Salazar, “ Virando costas ao mundo, orgulhosamente sós”, podemos verificar um certo desabafo, mas algo contrário ao óbvio. “ Glória antiga volta a nós”, antigamente é que era bom! O discurso é o mesmo de geração em geração sem dar azo a esperança.Do Riff inicial, simplesmente arrebatador, ficando no ouvido o resto do dia, ao incrível trabalho do baterista sem qualquer receio de fazer uso aos pedais.O Headbanging é mais do que constante neste compasso simples mas pesado no ponto que se quer! Ainda hoje um dos temas mais aplaudidos ( visível no merchandise da banda que os fans usam) e que faz polacos cantarem em português!Um álbum que já vi referenciado como dos melhores de sempre dentro do Black Metal, mas por gosto pessoal não me convence a esse ponto. De qualquer forma, é sem dúvida um álbum obrigatório para os verdadeiros fans do trabalho de Fernando Ribeiro e companhia. Sem Wolfheart possivelmente não teríamos Irreligious, Sin-Pecado , Memorial e muito menos um Night Eternal. Neste ponto de vista, é sem dúvida, um dos álbuns mais importantes da história do metal português.

Pantera - Cowboys From Hell


Em 1990 o mundo do Rock estava mais do que abalado. Várias correntes musicais alternativas vinham ao de cima com especial para o movimento de Seattle – o grunge.
Será impossível fazer referência a este género sem passar pela formação de Kurt Cobain, Dave Grohl e Kris Novelic. Alguns anos mais tarde, um grupo de privilegiados podia-se gabar de ter assistido a um momento único no antigo Dramático de Cascais, o único concerto de Nirvana no nosso país. Outro grupo, possivelmente alguns coincidentes, pôde se gabar de ter assistido a outro marco da história do Rock.Nirvana estava para o movimento de rock alternativo como os Pantera estavam para o Metal - foram pioneiros e símbolos de culto, ainda hoje nos dias que correm.

No início da ultima década do Século XX, Phill Anselmo dava ao mundo uma das melhores vozes do heavy metal a par da oferta de riffs incríveis de Dimebag Darrel.
Cowboys From Hell , assim ficarão conhecidos na eternidade, e assim começava a sua caminhada, curta demais.

São casos raros os de bandas que conseguem um álbum de estreia completo ao nível da sua estrutura. Lembro-me de casos como Ten dos Pearl Jam e Appetite for Destrution dos Guns’n’Roses que ainda hoje fazem jus ao seu estatuto.

A minha introdução deixa uma ideia simples no ar, se Nirvana não tivesse existido, Pantera certamente não deixaria espaço em vazio para os adolescentes da altura, sedentos de Rock puro e sentido.

Vulgar Display of Power poderá ser o Nevermind dos Pantera, mas sem Cowboys From Hell nada disto seria possível.

Dimebag arrasa tudo e todos com um incrível riff em «Cowboys From Hell», energético e cheio de garra- “ here we go” avisavam.
Quem passa de Black Sabbath para Lamb of God certamente não encontrará uma ligação directa, pois bem, se temos de apontar o dedo estes serão certamente os culpados da maioria do metal que se faz hoje em dia.
Este tema faz-me recordar, a cada audição que faço, o momento único de Monsters of Rock em Moscovo onde se verifica a garra do conjunto em palco.

«Primal Concrete Sledge» dá um cheirinho de Hardcore á cena, o segredo está nos breaks de bateria, louvado seja o pedal duplo! “Oh Yeah!”- exclama repetidamente Anselmo. O público adere, hoje aos Down, mas Pantera na altura foram mais do que uma lufada de ar fresco! “ It’s time to set my demons free”, esta é uma das frase que descreve todo o sentimento de se ouvir estes temas com o volume alto a par do bass violento - «Phsyco Holiday» dá uma certa progressividade ao trash-metal directo e sem espinhas que os temas anteriores apresentavam. Dimebag não se demonstra nada humilde neste incrível solo, e nós? Nós agradecemos!A estrutura de guitarra de «Heresy» é a planta do hardcore e de algum metal que se pratica hoje, o riff é fantástico na sua simplicidade, Anselmo prova que rapazes como Corey Taylor ainda têm muito a provar ao mundo no que toca a puxar pelos cordõezitos vocais.
Todos sabemos que não é qualquer banda que se atreve a escrever power-balads, muito menos no álbum de estreia, muito menos com a carga emotiva de «Cemetary Gates»…
Certamente a crítica apontará para este tema com um momento incontornável no curriculum da banda, um tema para se cantar até as lágrimas escorrerem e as veias envolventes á traqueia rebentarem. Um dos temas mais «pesados» da banda em termos de letra, facilmente mal interpretado, mas sejamos realistas, neste mundo o que não falta é preconceito, relembro «A Tout le Monde» de Megadeth e «Fade To Black» de Metallica, temas lindíssimos associados a mensagens explicitas e incentivadoras ao suicido (“…pass the cemetary gates…”).Preparados para serem dominados? Até este sexto tema não consigo excluir um uníco duma compilação ao estilo antologia / Best-of. «Domination» não fica para trás na corrida, é impossível não deixar de fazer referencia a Dimebag a cada compasso! O mundo perdeu um guitarrista ícone, um verdadeiro Metal God (penso que os Judas Priest não se importarão que use a musica deles como caracterização). Do visual pesado, e sem as parolices que outras bandas se sujeitaram, ás guitarras com formatos únicos, e eternamente associados á banda que fazia sonhar a juventude mais alienada.

A primeira metade do álbum será para sempre o maior destaque de Cowboys From Hell, mas temas como «Shattered» não ficam atrás de «Heresy» mas com uma introdução de pedal duplo on-fire para ensurdecer qualquer fan do mundo mais pesado do Rock. Neste tema eu arriscaria em dizer que British Steel ou outros álbuns de Judas Priest andaram a rodar na aparelhagem da banda! As referencias vocais de Rob Halford são evidentes.

Machine Head nunca esconderam ao mundo a sua paixão pelos Pantera, seja feita justiça ao incrível tema de The Blackening «Aesthetics of Hate» dedicado ao falecido Dimebag. «Clash With Reality» poderia muito bem ser um tema dos candidatos ao estatuto de «novos Metallica» ( a par de projectos como Trivium e Mastodon onde muitos põem as esperanças).

«Medicine Man» demonstra um ar menos agressivo mas mais obscuro. É daqueles temas que funciona muito bem em álbum, mas que dificilmente não baixaria de nível ao vivo. O momento mais estável de um álbum cheio de pontos altos deixa o ouvinte repor o fôlego.
«Message in Blood» faz-me lembrar dos autores de Blood Mountain ao nível da guitarra na introdução, no entanto a estrutura musical tem semelhanças com o que hoje se faz no rock mais industrial como é o caso de Nine Inch Nails. Uma palavra descreve este solo- dramático!

Penso que a vontade de entrar num mosh-pit e fazer crowd surf é crescente, mas está na hora de «The Sleep», certamente um esboço da obra-prima que é «Cemetary Gates», este tema está feito para algum air-guitar. A harmonia da guitarra ritmo desta vez é tão ou mais importante na estrutura do tema, encaixam na perfeição. Premindo pelo instrumental acima do vocal, trata-se mais duma despedida da banda aos milhares de fans que rodam ainda hoje este Cowboys From Hell, possivelmente mais em mp3’s do que em CD’s.

Se «The Sleep» concluía o álbum, «The Art of Shredding» é o adeus em formato de encore arrebatador, deixando tudo e todos com vontade de mais! Mais Pantera! Considerados pela crítica como a melhor banda ao vivo, dentro do género obviamente, começam o seu trabalho logo no estúdio criando um seguimento na sua playlist ao que facilmente poderíamos apontar como setlist. 12 temas o compõe, e de forma pessoal aponto pelo menos 7 como temas obrigatórios!Todos temos uma década ao nível cultural em que nos identificamos, a minha será sem dúvida a de 90, e este pedaço de «barulho» é algo do que se fez de melhor nessa altura!É incrível como apenas 4 anos depois de Master of Puppets o Metal tenha mudado desta forma!

AC/DC - Back in Black


AC/DC passados mais de 30 anos continuam na linha da frente, esgotam estádios e atingem os tops mundiais. Quantos exemplos de bandas temos como esta que para além de sobreviver á trágica morte do seu vocalista consegue ainda atingir novos patamares?Esse patamar chama-se Back in Black. Depois de Let There Be Rock, Powerage e Highway to Hell nada fazia prever o auge de vendas que este iria obter. Hoje é um dos álbuns mais vendidos de sempre a par de Dark Side of The Moon de Pink Floyd e do famoso Thriller do falecido Rei da Pop- Michael Jackson.Vamos esquecer os números. Back in Black é o ponto de viragem na carreira dos AC/DC. A trágica morte de Bon Scott deu lugar a Brian Johnson e as semelhanças vocais foram bem aceites. A irmandade Young mais uma vez fez o resto.A capa marca o luto, «Hells Bells» toma uma dimensão épica nunca dantes visível na banda. Assim se abrem as hostes dum álbum bem mais maduro que o anterior.Ao som de sinos se abre este incrível tema, ainda hoje celebrado ao vivo com o famoso sino da banda.

«Shoot to Thrill» tira as dúvidas do primeiro tema, não eles não ficaram frouxos dum dia para o outro, o Rock’n’Roll que os distingue e que nos dá vontade de fazer air-guitar ainda continua de pé! Sem piedade no “…Pull the Trigger..” Angus Young dá uso á sua Gibson criando uma mistura de Riffs que não deixa criar saudades dos tempos de T.N.T.! Parabéns, estamos ainda no segundo tema e temos mais dois clássicos!O solo final é simplesmente majestoso!

O que fazem por dinheiro estes rapazes? Por incrível que pareça fazem música de qualidade! É com a rima «What do You Do For Money, Honey?» que se faz o refrão deste mesmo tema.«Givin’ The Dog a Bone» dá continuidade. Isto é AC/DC! Rock’n’Roll no seu estado mais puro.

O tema seguinte pede-nos algo desnecessário «Let Me Put My Love Into You» é algo que estes Australianos em 1980 já não precisavam! Um dos compassos mais conhecidos do mundo, par do Riff e da coreografia de Angus (Duck Walk), é sem dúvida o do tema que dá nome ao álbum. Como poderei descrevê-lo? – Como um dos temas mais marcantes da história do Rock! Sem sombra de dúvidas um dos melhores solos da carreira de Angus! Este que por sua vez é por vezes referenciado injustamente como o sr. dos três acordes, esquecendo o guitar hero dentro da farda colegial.

É impressionante como neste álbum os 7 minutos e 45 segundos da 6ª e 7ª música marcam toda uma geração! De «Back in Black» passamos para o grande êxito radiofónico dos anos 80- «You Shook Me All Night Long». Não há nada melhor do que fazer aquelas viagens pelas nacionais deste país, no meio do nada numa manhã de Verão, janela aberta, e AC/DC bem alto!Este é o tema que conquistou muitos corações á banda. Arrisco-me a dizer que era isto que faltava para completar o seu sucesso mediático.Dos metaleiros ás adolescentes com posters de Bon Jovi e Van Halen, AC/DC era uma referência. Hoje é um icon.

«Have a Drink on Me» não destoaria em nenhum bar de motards que se preze. «Shake A Leg» obriga o ouvinte a bater o pé. Sabem que mais? Aqui podemos encontrar diamante em bruto, o facto de temas como este ficarem para trás em concertos das banda só demonstra a fabulosa discografia da banda, é de facto um desperdício!Back in Black provou ser uma fábula, uma daquelas que nos transporta para um mundo de maravilhas. Mas fábula que se preze têm um final feliz seguido duma mensagem pedagógica- «Rock and Roll Ain’t Noise Pollution»- alguém quer melhor do que isto?
Fazendo trocadilho passo a explicar o sucesso de Back in Black :

AC/DC Ain’t Noise Pollution!!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Anthrax - Among the Living




Outra banda a ter em conta no mundo do Trash-Metal é sem dúvida o 4º grande- Anthrax e pessoalmente uma das minhas favoritas.
Este álbum representa sem dúvida alguma o auge de uma banda que nem sempre tem o reconhecimento que deveria ter.
Este Among the Living é a prova de isso mesmo.
Anthrax tem pecado, talvez ainda mais do que Megadeth pelas mudanças na formação, mas neste álbum a formação tornou-se a nº1 dos fans: Joey Belladonna, Dan Spitz, Scott Ian, Frank Bello e Charlie Benante.
Fans das novelas de Stephen King, «Among the Living» abre com um preságio de doença mortífera...A introdução certamente terá sido levada a sério pelos Metallica mais tarde em «That Was Just Your Life» (música de abertura de Death Magnetic). Os primeiros breaks de bateria anunciam a dimensão do que seria o seu melhor álbum.Grande tema, Joey em grande forma.

«Caught in a Mosh» é ainda hoje considerado dos melhores temas gravados e lançados no mainstream metaleiro. Os segundos que a antecedem ditam a velocidade estonteante. O título não engana, esta música é mesmo dedicada ao Mosh-Pit! Neste mesmo tema nota-se porque Scott Ian é das personagens mais respeitados do género.

«I am the Law» é outro dos temas mais conhecidos da banda, a par de «Imitation of Life», os créditos são repartilhados com o antigo baixista da banda, o sr. Lilker. E porque o universo metaleiro não têm barreiras, este tema vai buscar inspiração à BD.
Repare-se também que o artwork é também uma referencia a Poltergeist.
Pessoalmente sinto um certo arrastamento em certos temas, este é um deles.Não estraga, mas não trás nada de novo este arrastamento.

«NFL» Nice Fuckin Life! O riff por alturas do refrão é extremamente víciante! É outro dos temas que faz deste álbum um best of autentico da banda.
A sonoridade torna-se cada vez mais própria, se bem que sentem-se rasgos de Metallica, banda com quem partilham grande afinidade, lembro-me de «Phantom Lord» (Kill'm'All) interpretado pelos Anthrax.






quarta-feira, 27 de maio de 2009

Slayer - Reign in Blood


A banda que passados tantos anos ainda leva muitas mãezinhas á loucura certamente... Slayer é uma milícia. Os seus fans são legiões autenticas e fieis á sua agressividade.
Slayer é bruto. Slayer não é bonito. Slayer não é para qualquer um.

Reign in Blood é a par de Master of Puppets o álbum com maior reconhecimento dentro do Trash-Metal apesar da sua curta duração.

Meia-hora que parece estar no Fast-Foward! «Angel of Death» abre logo em polémica. «Aushwitz the meaning of hate, the way that I want you to die...». A letra é forte, e nada menos se esperava, mas as acusações de racismo são levadas por água abaixo face á étnia do orador por exemplo... Lembrar o Holocausto de forma a não se repetir nada semelhante. É demonstrando o ridículo que os Slayer fazem uma das críticas mais controvérsias da história do metal.
Igualmente violenta é a própria musica, com um conunto de riffs fácilmente reconhecidos pelos fans. Sobreviver aos ultimos minutos é tarefa complicada...

«Piece by Piece» e «Necrophobic» não baixam a intensidade, principalmente o segundo... existirá algo mais intenso que Slayer?

«Altar of Sacrifice» perde dois segundos para a introdução... E volta a bombardear-nos com uma granada de trash puro e duro. Cada vez mais pesada, a musica torna-se um apelo hipnótico ao headbanging!

Numa ponte quase perfeita, «Jesus Saves» dá qualquer coisa como um minutinho de descanço... a ligação entre temas faz deste Reign in Blood um álbum fenomenál do princípio ao fim.

Os temas seguintes seguem um esquema quase perfeito estando Dave Lombardo na melhor forma possível! Sem deixar para trás a técnica de Jeff Hanneman e de Kerry King que não perdoam um segundo que seja sem um riff esmagador ou com um solo a 250 km/h...

No fim, a cereja no topo. «Raining Blood». Que mais há a dizer? A melhor entrada de sempre? A Little Boy da musica pesada?
O tema mais reconhecido da banda é como um Pai Nosso para os fans do metal mais extremo.
Mais uma fez Tom Araya a entrar muito bem com os seus vocais fantásticos, até á calma que antecede a tormenta... O riff é avassalador, é impossível não sentir a adrenalina a subir pela espinha logo no primeiro break de bateria... por milhares de vezes que se ouça, nunca perde o impacto- simplesmente perfeita!

Peço que tenham em detalhe o artwork da capa, penso que fácilmente compreenderão a controvérsia á volta da banda ao longo dos anos assim como certos excessos por parte de fans mais extremos que mal-interpretam por vezes a mensagem da banda.

Iron Maiden - The Number of the Beast




É impossível não referir este álbum a qualquer novato nestas andanças. Possívelmente o álbum com maior importancia na história do Metal, é também o grande culpado do estatuto dos Iron Maiden.
Depois de um problemático Killers, este terceiro álbum dos Maiden foi a estreia do que viria a ser uma das personagens mais enigmáticas do Metal- Bruce Dickinson.

O novato não sente o peso do vocalista anterior e entra a rasgar. Sinceramente alguém tem assim tanta pena de Bruce substituir o Paul?!

A crítica na altura não teve misericordia, desde maus músicos a satanicos, os Maiden foram acusados de tudo, sendo este álbum reconhecido pela critica já num patamar Mainstream da banda.

«Invaders» abre em grande estilo um álbum cheio de energia num tom épico, como entendo aqueles metaleiros dos anos '80 com ar de camionistas... é inevitável Bruce Dickinson entra na cabeça e tudo o resto apaga-se.«Invaderes!!! Where are they?» é de tirar a respiração.

Rápidamente passamos a escutar o primeiro grande teste vocal a Bruce, «Children of the Damn» apresenta a balada do álbum. Nos ultimos minutos começamos a verificar o futuro da estrutura musical dos Maiden. Introduções profundas , solos e breaks rápidos deixados para o fim como no futuro se verificaria em temas como «Fear of the Dark» e «Brave New World» por exemplo.

«The Soldier» e «22 Acacia Avenue» passam mais despercebidas não baixando o nível técnico das anteriores mas fazendo notar a evolução musical dos primeiros álbuns para este Number of the Beast.
Os minutos que se seguem podem muito bem ser apontados como os mais importantes da carreira dos autores de «2 Minutes to Midnight».
O imaginário de Steven Harris é algo fascinante. Os primeiros segundos do tema são apresentados por uma voz tenebrosa... «Number of the Beast» é um dos melhores temas alguma vez escritos! Que riffs, que breaks, que voz, que letra!! É simplesmente genial a forma como Bruce abre o tema. A explosão de energia deste ábum.
Como seria de esperar, um título destes envolve mais uma vez a banda sob acusações de satanismo, sendo desmentido pela banda.

«Run to the Hills» é também um dos temas mais reconhecidos da banda e percebe-se bem porquê!
A bateria põe a marchar qualquer um. Marcha essa certamente vitoriosa, mais uma vez tem de se dar os parabéns a Bruce Dickinson pelo sentimento que a sua voz provoca.
Foi este o single que deu a conhecer o novo vocalista ao mundo, e derepente não me lembro de nenhum vocalista entrar tão bem numa banda como ele com este single de sucesso.

«Gangland» é outro tema, que apesar de passar ao lado a muita gente, penso que poderia ter sido um single (talvez noutro álbum). Um bom seguimento dentro do álbum, mas o momento que se espera é o seguinte...

Comparada a «Stairway to Heaven» de Led Zeppelin para o mundo da música Metal, «Hallowed Be Thy Name», mete «War Pigs» e «Iron Man» de Black Sabbath no bolso no que toca á eleição da melhor musica de metal de sempre.
A história dos ultimos momentos de um prisioneiro condenado á morte leva-nos a uma epopeia musical cheio de solos marcantes. Lembro-me perfeitamente de ter assistido a Apocalyptica tocarem «Fight Fire With Fire» e «Seek'n'Destroy», temas mais antigos de Metallica, para os fans de Metallica, assim como «Refuse/Resist» de Sepultura, mas no entanto naquela noite foi a versão deste tema interpretado pelos Machine Head que teve o maior nº de aplausos! Este é o maior hino de sempre de todo o género. E sem dúvida um daqueles obrigatórios de se ouvir pelo menos uma vez na vida.
Existe melhor forma de se fechar um álbum?