quinta-feira, 16 de julho de 2009

Moonspell - Wolfheart


Do concelho da Amadora espera-se toda uma variância de estilos provenientes do Hip-hop, R’n’B, Kizomba, etc, que marcam uma certa cultura típica de bairros demarcados pela mistura de nacionalidades, na sua maioria africanas e brasileiras.Curiosamente, é de uma dessas freguesias, Brandoa para ser mais concreto, que nasce aquele que viria a ser o maior projecto do mundo do metal português – os Moonspell.Hoje temos alguma dificuldade em mantermo-nos a par dos seus espectáculos face ao número crescente de tours no estrangeiro.Não deixando para trás o que de melhor se exporta do Black Metal nórdico, os Moonspell esgotam em países como a Polónia onde gravaram o primeiro DVD português desta vertente do rock mais pesado- Lusitânia Metal.Em 2003, com o single «Everyhing Invaded» de The Antidote, chamaram á atenção da organização do Rock in Rio como capazes de fazer o «aquecimento» dum dia com Sepultura, Slipknot e com o retorno de Metallica ao nosso país. Desde aí (2004) que a carreira dos Moonspell tornou-se bem mais visível a solo nacional, deixando bem para trás as bandas de estatuto equivalente como Ramp e Tarântula seguindo no pelotão do estatuto de maior banda de metal nacional.

Poderia dizer que tudo começou á 20 anos atrás, mas é em 95 que Wolfheart surpreende a crítica como álbum de estreia da banda de Fernando Ribeiro.É usual dentro do Black Metal encontrar todo um conjunto de simbolismos e de algum drama teatral, amado por uns e odiado por outros, nunca indiferente. O Lobo é o simbolismo obvio deste álbum.«Wolfshade (A Werewolf Masquerade)» dá início á caminhada deste feitiço lunar. Uma introdução do outro mundo, relembra uma autêntica casa dos horrores, clássico de feira popular. O lobo é cheio de mistérios, e isso cria alguma mística na sua personagem. Quem não o associa a uma noite de lua cheia a uivar no meio da neve?É esse o lado sombrio que Moonspell antecedem com este tema de abertura. Primeiro álbum não faz deles amadores! Os anos que antecederam a edição deste álbum provaram que a experiência é essencial, e nesse aspecto estão cada vez melhores.A melodia, sombria e tendencialmente ligada á cultura gótica (referencia á tribo urbana), demonstra-se ironicamente bonita. Se «A Bela e o Monstro» fosse um musical, este seria o género de música perfeito.

Temos todo um género de crimes, mas sem dúvida os maiores da humanidade foram em nome dum chamado Amor. «Love Crimes» dá a conhecer um Mr. Mike na Bateria de forma fenomenal! O Jack Sparrow português demonstra não ficar nada a trás do que colegas seus fazem no estrangeiro. 7 minutos bastante progressivos, culminando num ambiente algo macabro onde a calma antecede a entrada da «besta» FR.«…Of Dream and Drama (Midnight Ride)», á melhor definição para a sua música? O primeiro grande rasgo de metal infernal! O peso dos riffs e da bateria mistura-se com a harmonia do órgão. Um break algo invulgar dá direito a solar o teclista.
Ao som de flauta se abre um pequeno instrumental, «Lua d’Inverno» que prova que para além de metaleiros, feios e maus, os Moonspell são músicos conscientes, profissionais e com uma diversidade pouco eclética em termos musicais.

«Trebaruna» parece ceder um pouco ao preconceito que muito se vivia na altura, o facto das bandas se lançarem em inglês. A meu ver, o ponto fraco do álbum, não por ser cantada em português, mas simplesmente porque se sente algo fora do contexto.

Sem deixar saudades do tema anterior, «Vampiria» é ainda hoje um dos maiores clássicos da banda e sem dúvida uma das favoritas dos fans mais antigos de Moonspell. Os primeiros dois minutos mergulham-nos na escuridão total, até ao momento que o riff da guitarra se faz soar. Fernando Ribeiro nunca temeu puxar pelos dotes vocais, dos graves ressonantes aos «berros» , que leigos tanto criticam e receiam um dia compreender e gostar, neste tema o vocalista leva-nos para um clássico de cinema, o Drácula. O mundo do Black Metal é este que ele vos apresenta, onde se entra num mundo fantástico de vampiros e de monstros, onde nem tudo é bonito e supérfluo, onde os sentimentos que se pretendem provocar não são tão óbvios como noutros géneros.

Muito se fala do vocalista, mas o segredo da harmonia vocal da banda passa muito pela destreza no uso dos back vocals! Na «Erotic Alchemy» revela a paixão pelo mundo delicado da música clássica, da opera para ser mais concreto.
Diria que este tema se revela mais dinâmico do que se verifica com os anteriores, no entanto não se compara ao que está para vir.Será que fechar um álbum com um dos maiores clássicos do Metal português (talvez só passado por Opium, também dos Moonspell) demasiado cliché?«Alma Matter» é fantástica do princípio ao fim! A garra ainda hoje é dificilmente comparável a outro tema da sua discografia. Pegando no famoso discurso do prof. Oliveira Salazar, “ Virando costas ao mundo, orgulhosamente sós”, podemos verificar um certo desabafo, mas algo contrário ao óbvio. “ Glória antiga volta a nós”, antigamente é que era bom! O discurso é o mesmo de geração em geração sem dar azo a esperança.Do Riff inicial, simplesmente arrebatador, ficando no ouvido o resto do dia, ao incrível trabalho do baterista sem qualquer receio de fazer uso aos pedais.O Headbanging é mais do que constante neste compasso simples mas pesado no ponto que se quer! Ainda hoje um dos temas mais aplaudidos ( visível no merchandise da banda que os fans usam) e que faz polacos cantarem em português!Um álbum que já vi referenciado como dos melhores de sempre dentro do Black Metal, mas por gosto pessoal não me convence a esse ponto. De qualquer forma, é sem dúvida um álbum obrigatório para os verdadeiros fans do trabalho de Fernando Ribeiro e companhia. Sem Wolfheart possivelmente não teríamos Irreligious, Sin-Pecado , Memorial e muito menos um Night Eternal. Neste ponto de vista, é sem dúvida, um dos álbuns mais importantes da história do metal português.

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