terça-feira, 26 de maio de 2009

Metallica - Ride the Lightning


Muito se fala de Master of Puppets, sem dúvida um grande álbum e para muitos o melhor da discografia de Metallica. No entanto eu torço um pouco o nariz quando me dizem que este marca a diferença quer na banda como na história do Trash-Metal...

Ride the Lightning é o segundo álbum da banda e curiosamente também o segundo a ter em conta aqui na Metal Master.

O que se passou entre Kill'm'All e este? pergunto eu... Kill'm'All era rápido e sem espinhas, trash puro. Em Ride the Lightning, Metallica continuam pesados e agressivos mas demonstram a veia criativa que simplesmente não imaginariamos na presença de James Hetfield dos anos 80...

Hoje trata-se de um álbum de culto para todas as gerações metaleiras.

«Fight Fire With Fire» começa por enganar o ouvinte mais convicto... a introdução faz a diferença. Um tema que poderia muito bem ser inserido em Kill'm'All, rápido e com um rasto de destruíção desmedido. Um tema que ainda hoje é acarinhado pelos fans mais antigos.
O tema favorito de Flea (baixista dos Red Hot Chili Peppers) e que em 2008 os Apocalyptica fizeram questão de tocar no Rock in Rio Lisboa.
Um trabalho fenomenal de Lars Ulrich na Bateria, um riff mortífero a cargo de Kirk Hammett e
Cliff Burton a provar porque era um dos melhores do mundo.

A faixa que dá nome ao álbum segue-se. A batida simples mas pesada e os agudos da guitarra dão a este tema uma das melhores introduções de sempre do Trash Metal. Cheia de garra- «Now Its Time to Die!» Rápida e pesada, mais uma vez os Metallica não baixam o nível técnico com bons solos rápidos, ainda escritos no tempo de Dave Mustaine que fora expulso da banda ainda no tempo de Kill'm'All . Se no tema anterior desconfiava-se, agora temos a certeza que tornam-se progressivos de tema para tema, são temas a rondar os 6 minutos sem se arrastarem.


«For Whom the Bell Tolls» é um clássico da banda. Terceiro single deste álbum abre com um incrivel trabalho de Cliff Burton com o seu baixo misturado em distorção ao som de sinos como o título indica. Com Ernest Hemingway, autor que a banda sempre fez questão de mostrar admiração, em mente através da novela que este compôs com o mesmo título. Este tema usa uma linguagem forte, nua e crua- «Take a look to the sky just before you die, its the last time you will». É ainda hoje, mais de duas décadas depois um tema algo comum de ser tocado na banda ao vivo.

Ride the Lightning abriu as portas a todo um novo reportório dentro do Trash-Metal. Ao contrário do Punk, as vertentes metaleiras rápidamente sentiram a necessidade de evoluirem, quer a nível musical como a nível de postura na sociedade. O Trash de Kill'm'All funcionava, mas até que ponto esse seguimento seria positivo? «Fade To Black» vem mostrar que Metallica amadoreceram e sentiram na pele o peso do sucesso. A primeira Power Ballad da história da banda. este tema é ainda hoje um marco assinalável em qualquer show ao vivo, a sua introdução acoustica juntamente com a letra de cariz pesado (sentimental) eleva mais um pouco o estatúto da banda que arrisca tudo sem medos ao lançar este tema.
Cada vez mais pesado, o riff final assim como o solo introdutório e final demonstra um grande trabalho de Kirk Hammett que marcava posição dentro da banda. Não é por acaso que esta música tem um dos melhores solos de sempre segundo a Guitar World...

«Trapped Under Ice» volta a marcar a batida rápida ao nível do primeiro álbum. Lars Ulrich a 200 % sem que o jovem James Hetlfield se deixe ficar para trás. Como afirmei para «Fight fire with Fire», este tema poderia muito bem se juntar a Kill'm'All.

«Escape» é talvez o ponto mais indiferente, por assim dizer, do álbum. Um refrão que fica no ouvido, mas talvez um pouco mais de sal na música não fizesse assim tanto mal...

Sabem o que em 2007 e em 2008 os concertos de Metallica em Portugal tiveram em comum? Abriram com «Creeping Death» e fecharam com «Seek'n'Destroy».
Pode não estar a abrir, mas quase a fechar o álbum, «Creeping Death» tem dos melhores riffs da banda de San Francisco. Porque a vida também se constroi de um imaginário fantástico, este tema leva-nos a uma viagem ao passado egípcio, num mundo de faraós e de escravos...
Cheia de garra e de energia, este é um dos meus temas favoritos.
O Solo final é incrivelmente rápido e o famoso fecho «Die!Die!» faz-nos sentir tribais, poderá um homem se sentir mais viril do que grunhir tais frase de arremeço?! Um tema fenomenal, principlamente ao vivo.

E porque este segundo álbum tinha o intuíto de surpreender, nada melhor do que acabar com a maior surpresa de todas. Um Instrumental de quase 9 minutos, mais do dobro de (Anesthesia)Pulling Teeth do antecedor.
Algo experimental, este tema volta a ter a cargo de Cliff Burton os efeitos transcendentes numa orquestra montada para fechar este álbum de culto.

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